Planejamento
Como calcular quantos metros de andaime a obra precisa
A estimativa começa pela área da frente de serviço: comprimento vezes altura, em metro quadrado. Essa área é convertida em módulos do sistema escolhido, e cada módulo tem uma quantidade fixa de montante, travessa, diagonal, piso e sapata. O resultado é uma lista de peça, que é o que efetivamente vai para o caminhão e para o orçamento.
A conta por área serve para fachada reta. Em superfície curva, o que vale é o perímetro. Em interior de tanque ou silo, o que vale é a seção e o número de níveis. E em qualquer caso a lista precisa incluir acesso, travamento e proteção, que não aparecem na multiplicação simples de comprimento por altura.
A conta básica, para fachada reta
Meça o comprimento da frente de serviço e a altura de trabalho, do ponto de apoio até o nível mais alto onde alguém vai trabalhar. Multiplique os dois. Esse número é a área de fachada, e é o ponto de partida de todo levantamento.
A altura de trabalho não é a altura da edificação. Se o serviço é na platibanda, a plataforma precisa ficar acima do último ponto de serviço, com guarda-corpo completo. Sempre existe um nível a mais do que o previsto no desenho inicial.
Some as frentes separadamente, e não a soma dos perímetros do prédio inteiro. Fachada que não recebe serviço não recebe andaime, e essa distinção corta material de forma legítima.
Como transformar metro quadrado em lista de peça
Cada sistema tem um módulo próprio: um vão horizontal entre montantes e uma altura entre plataformas. A partir dessas duas medidas, a área vira número de módulos, e o número de módulos vira lista de peça. As medidas mudam por sistema e por fabricante, então a conversão só é confiável com a ficha do material que vai ser usado.
| Etapa | O que se calcula | Cuidado |
|---|---|---|
| 1. Área | Comprimento da frente vezes altura de trabalho | Considerar o nível acima do último ponto de serviço |
| 2. Módulos | Área dividida pelo módulo do sistema, no comprimento e na altura | Vão parcial ocupa módulo inteiro |
| 3. Estrutura | Montante, travessa e diagonal por módulo | Contraventamento não é opcional em altura |
| 4. Piso | Plataforma completa em cada nível de trabalho | Piso parcial não atende à norma |
| 5. Proteção | Guarda-corpo, travessão intermediário e rodapé em todo perímetro exposto | Inclui as extremidades, não só a face de trabalho |
| 6. Acesso | Escada ou torre de acesso, com a frequência exigida pela altura | Acesso improvisado é o item mais autuado em obra |
| 7. Base e travamento | Sapata ajustável, prancha de distribuição e amarração à estrutura | Terreno irregular muda a quantidade de sapata |
[[PENDENTE: ficha técnica do multidirecional Tec Lit: material, altura máxima, carga admissível, peso das peças e espaçamento entre montantes]]
E quando a estrutura é cilíndrica?
Em tanque, digestor, silo, chaminé e torre, a conta muda de área para perímetro. Multiplique o diâmetro pela constante do círculo para obter a circunferência, divida pelo vão do módulo e você tem o número de montantes em cada anel. Multiplique pelo número de níveis e chega na estrutura.
Superfície curva é onde o sistema multidirecional se separa do resto. Como a fixação é por garra, a travessa entra em ângulo variável e o anel fecha sem gambiarra de braçadeira. Em tubo e braçadeira, o mesmo anel exige mais peça, mais tempo e mais ajuste em campo.
Em equipamento com bocal, plataforma existente, tubulação encostada ou isolamento térmico, o levantamento precisa ser feito em campo. Desenho de projeto raramente mostra a interferência que impede o montante de descer no lugar previsto.
Interior de tanque, silo e digestor
Acesso interno é dimensionado por seção e por nível. A estrutura é autoportante, apoiada no fundo, sem transferir carga para o costado do equipamento, e sobe em anel com plataforma em cada altura de serviço.
O que costuma faltar nesse levantamento é o próprio acesso ao interior. Toda peça precisa entrar por bocal, o que limita o comprimento das peças e obriga a montagem de dentro para fora. Isso muda a lista e muda o tempo de montagem.
Trabalho dentro de equipamento soma regra de espaço confinado, com liberação, monitoramento de atmosfera, vigia e tempo limitado de permanência. Isso não muda a quantidade de andaime, mas muda o prazo, e prazo é custo.
O que quase sempre falta na lista
- Rodapé em todos os níveis, e não apenas no nível de trabalho principal.
- Guarda-corpo nas extremidades laterais da torre, que são esquecidas com frequência.
- Escada interna de acesso, substituída em campo por improviso quando não é prevista.
- Sapata ajustável suficiente para terreno em declive.
- Prancha ou chapa de distribuição de carga quando o apoio é em solo ou piso frágil.
- Peça de amarração e travamento na estrutura existente.
- Tela de fechamento, quando há risco de queda de material sobre circulação.
- Sobra técnica para ajuste em campo, porque projeto e obra nunca coincidem exatamente.
Falta de item pequeno atrasa montagem inteira. Uma torre sem escada de acesso não é liberada, e uma frente sem sapata suficiente não sobe.
Quando o levantamento precisa ser feito em campo
Estimativa de escritório resolve fachada reta, altura conhecida e piso regular. Fora disso, o levantamento em campo evita retrabalho: equipamento com interferência, planta em operação, área com restrição de acesso, terreno em declive e estrutura que precisa receber amarração.
Se você tem a planta e o corte da frente de serviço, envie junto com o pedido. Se não tem, uma sequência de fotos com uma referência de escala já reduz muito a margem de erro do orçamento.
Normas citadas neste artigo
- NR 18, Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção
Este texto é orientativo e não substitui o texto oficial das normas nem o procedimento da obra. Em caso de divergência, prevalece a redação vigente da norma.
Autoria e revisão
Publicado por Tec Lit Serviços, empresa de locação, venda, fabricação e montagem de andaime em Aracruz, ES, no mercado desde 1992.
Revisão técnica: [[PENDENTE: nome, função e registro do responsável técnico que revisa os artigos]]
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